Blog

  1. Home
  2. /
  3. Institucional, Notícias
  4. /
  5. A inovação da cirurgia...

A inovação da cirurgia laparoscópica

Institucional / Notícias

A laparoscopia como ferramenta de diagnóstico surgiu no início do século XX, mais precisamente no ano de 1902. Cerca de 80 anos mais tarde ela começa a ser utilizada com caráter cirúrgico inicialmente apenas em procedimentos ginecológicos. Em 1985 é feita a primeira colecistectomia (retirada da vesícula biliar) por laparoscopia. A partir dessa data um novo conceito cirúrgico, menos invasivo e agressivo começa a ser difundido. Além da aplicação laparoscópica (abdômen) a técnica é utilizada em artroscopias (articulações), toracoscopia (tórax), entre outras.

Para entender um pouco mais sobre a evolução da laparoscopia no Brasil, conversamos com o Dr. Thomas Szegö, ex-presidente da SBCBM (2009-2010) e responsável pela realização da primeira colecistectomia por vídeo laparoscópica da América do Sul, em 1990.

Fazer cirurgia bariátrica laparoscópica reduz o tempo de operação e recuperação.

Fazer cirurgia bariátrica laparoscópica reduz o tempo de operação e recuperação.

A laparoscopia surgiu como um exame diagnóstico. De que maneira ela passou a ser utilizada em cirurgias?
Dr. Thomas Szegö – A laparoscopia, que nada mais é que o exame dentro do abdômen, começou a ser utilizada como exame diagnóstico desde o começo do século passado. Só nos anos 80 é que ela começou a ser utilizada para procedimentos cirúrgicos, na época, basicamente ginecológicos. Em 1985, um cirurgião alemão chamado Erich Mühe, retirou pela primeira vez a vesícula de um paciente por laparoscopia, ou seja, sem grandes cortes no abdômen. Isso foi um divisor de águas para o início de um novo conceito cirúrgico conhecido como cirurgia não aberta ou menos agressiva. Ao invés de cortar, são feitos de cinco a seis pequenos furos por onde o procedimento será realizado.

É como ela chegou até a cirurgia bariátrica?
T.S. – Em julho de 1990 eu tive a oportunidade de realizar pela primeira vez na América do Sul uma colecistectomia por vídeolaparoscópica, na época já se usava o vídeo. Foi introduzido no Brasil então na área digestiva o conceito da cirurgia minimamente invasiva. Nessa época um grupo de cirurgiões já fazia cirurgia ginecológica e a artroscopia também já era usada para cirurgia das articulações.

De 90 em diante acabei me envolvendo muito com a laparoscopia por ter sido o primeiro a acompanhar o desenvolvimento e ensino da técnica no Brasil. Esse fato culminou com a minha união ao Dr. Arthur Garrido. Paralelamente eu fazia parte do grupo de cirurgia do estômago, duodeno e intestino delgado do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e o Dr. Garrido também fazia parte desse grupo, desenvolvendo e modernizando a cirurgia bariátrica dentro do hospital.

Em 1997 decidimos juntar nossas experiências num só procedimento, eu com a laparoscopia e o Dr. Garrido com a cirurgia bariátrica. O objetivo era agregar à cirurgia bariátrica as mesmas vantagens que vínhamos tendo nas outras áreas com a laparoscopia.

Como foi esse processo?
T.S. – Nessa época ninguém fazia isso no Brasil, então fomos procurar os pioneiros da laparoscopia em cirurgia bariátrica. Havia um grupo no Hospital Alvarado, em San Diego, na Califórnia, encabeçado pelos cirurgiões, Alan Wittgrove e Wesley Clark. Eles publicaram em 1993 um trabalho relatando o uso da laparoscopia na realização do bypass gástrico.

Nós conseguimos ficar alguns dias com eles acompanhando a realização das cirurgias e tentando absorver o máximo de conhecimento. Quando voltamos desenhamos de que maneira faríamos a cirurgia laparoscópica no Brasil. Fizemos vários treinamentos em laboratório e depois partimos para a cirurgia em humanos. Foi um começo muito difícil, pois não tinha ninguém para nos ensinar. Acompanhamos diversas operações na Califórnia, mas na hora de fazer é tudo muito diferente. A