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XVII Congresso SBCBM: astronauta fala sobre formação e treinamento

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O Diário do Congresso bateu um papo com o astronauta Bernard Harris. Leia abaixo a conversa completa.

Sobre a palestra:

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“O foco da minha palestra foi como montar equipes com eficiência. Seja uma equipe de aviação, astronautas ou cirurgiões. É o que chamamos de Crew Resources Management. O que eu quis apresentar hoje foi como as

lições apreendidas na aviação e no espaço evoluíram e influenciaram a forma como fazemos cirurgias.

No começo do programa espacial não sabíamos no que íamos nos meter. Nós sabíamos que seria complicado e exigiria um time que servisse de apoio à equipe que estava no espaço. Ninguém pode

voar ou ir ao espaço sozinho, da mesma forma que ninguém faz uma cirurgia sozinho. Entender isso nos leva a melhores resultados, melhor segurança e menos erros quando todo o planejamento é colocado em prática.

Eu não acho que exista uma forma de evitar completamente a possibilidade de erros, mas você pode minimizá-los. E quando eles acontecem eles devem ser pequenos.

Outro ponto importante é como desenvolver essa eficiência e eficácia, seja para voar em um avião ou em uma cirurgia. Em primeiro lugar, quando falamos em equipes, todos devem saber o que cada um está fazendo. O segundo ponto é a repetição exaustiva para que você saiba exatamente o que está fazendo. É isso que fazemos na NASA.”

Sobre sua experiência no espaço:

“Eu também falei um pouco da minha experiência como astronauta e mostrei algumas fotos que tirei do espaço. Eu sou médico e tenho subespecialidade em medicina espacial e endocrinologia. Meu foco é a perda de massa óssea: no espaço perdemos cerca de 1% de massa óssea por mês por conta da inatividade. Fiz parte da equipe médica em minhas missões – participei de três, mas apenas duas no espaço. Parte do meu trabalho era entender como a microgravidade afeta o corpo e investigar se nós podemos nos adaptar a essa situação. Estas questões impactam nossa saúde e precisamos encontrar uma forma de proteger a equipe.”

Sobre sua atuação como empresário:

“Eu decidi muito cedo que queria ser um astronauta e ir ao espaço. Então pensei quais profissões poderiam permitir realizar este desejo a partir das minhas características e habilidades.

Decidi seguir a carreira médica e isto acabou me levando à pesquisa científica, especialmente no assunto de perda de massa óssea. Por fim este caminho desembocou no que chamamos de Space Adaptation Syndrom, ou seja, como o corpo humano se adapta ao espaço. Essa adaptação pode ser boa ou não. Há perda de massa óssea, fraqueza muscular, nosso coração diminui no espaço e ficamos mais suscetíveis à doenças. É por isso que os astronautas devem ficar um período de quarentena. Você não gostaria de ficar doente lá em cima!

Por isso também desenvolvi, antes de me tornar um astronauta, equipamentos de exercícios físicos para não perder força: você só fica flutuando, você não faz nada e tudo isso tem um custo. Logo, é preciso de exercício diariamente por uma ou duas horas por dia. Atualmente os astronautas fazem exercícios e ainda assim não é possível prevenir tudo isto que tratamos acima.”

Sobre suas pesquisa:

“Esta trajetória acabou me levando a pensar em como toda aquela tecnologia que tive contato e ajudei a desenvolver poderia ser aplicada ao tratamento de pacientes com o objetivo de melhorar não só a prática como os resultados.”

Sobre o Brasil:

“Eu gosto muito de vir para o Brasil. Acho que você estão entre as pessoas mais simpáticas maravilhosas do mundo. Eu só gostaria de falar português!”