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Cirurgia Bariátrica: a situação atual do Brasil

Cirurgia Bariátrica / Institucional / Notícias / Obesidade

Por Almino Cardoso Ramos*
Fonte: ABESO

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Sobrepeso atinge 51% dos brasileiros, sendo que 18% deles estão obesos. Cirurgia bariátrica pode ser opção de tratamento.

Embora os primeiros casos de cirurgia bariátrica no Brasil tenham sido realizados a partir de 1974, foi na década de 90 que se iniciaram as primeiras unidades especializadas no tratamento cirúrgico da obesidade mórbida com a estrutura de equipe multidisciplinar, mobiliário adequado e equipamentos específicos para pessoas com obesidade grau III.

 

Nessa primeira fase da cirurgia realizada pelo modo convencional, o procedimento foi sendo pouco a pouco reconhecido e mais difundido. Entretanto, a maior difusão ocorreu depois do ano 2000, com a abordagem minimamente invasiva por laparoscopia, com vantagens importantes como menor risco de complicações e recuperação mais rápida. Desta forma, o número de cirurgias apresentou aumento considerável, colocando o Brasil como o país com o segundo maior número de cirurgias bariátricas do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos da América, posição que ocupa até hoje.

 

Segundo dados retirados da pesquisa VIGITEL, do DATASUS, o Brasil tem hoje mais de 51% de sua população com sobrepeso e obesidade, sendo que 18% são obesos. Ainda com base nessa fonte, estima-se em 4.500.000 (isso mesmo, quatro milhões e meio de pessoas), o número de brasileiros com indicação formal para cirurgia bariátrica. Levando em conta a perspectiva atual de número de cirurgias bariátricas realizadas de aproximadamente 90 a 95 mil cirurgias por ano, seriam necessários 50 anos para operar todos os que têm indicação, sem contar o outro grupo que desenvolverá a obesidade mórbida ao longo dos anos.

 

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Depressão é uma das doenças recém incluídas pelo CFM como comorbidades para indicação de cirurgia bariátrica.

No começo deste ano, o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou, no Diário Oficial da União (DOU), nova resolução (número 2131) da diretriz brasileira para realização da cirurgia bariátrica. Foram mantidos os padrões de indicação baseados no Índice de Massa Corpórea (IMC) acima de 40kg/m2 ou acima de 35kg/m2 com comorbidades clínicas. As mudanças principais foram a inclusão de novas doenças na lista de comorbidades, além da hipertensão arterial sistêmica, diabetes tipo 2, dislipidemias, apneia do sono e doenças ortopédicas que já constavam, foram incluídas uma gama de doenças cardiovasculares como insuficiência coronariana, acidente vascular cerebral e angina, doença do refluxo gastro-esofágico, incontinência urinária e infertilidade entre outras. Ainda dentro desta normatização, a cirurgia deverá ser indicada somente para pessoas com falha na perda de peso, com tratamento clínico e com idade acima de 16 anos, não havendo limite superior de idade para ser operado. Os procedimentos regulamentados continuam os mesmos, com a recomendação para uso de balão intragástrico para tratamento da obesidade grave somente como forma de preparo para realização de cirurgia em pacientes de alto risco ou nos com superobesidade e as técnicas cirúrgicas mais utilizadas no Brasil seguem sendo Gastrectomia Vertical, Gastroplastia com Derivação Jejunal (Bypass Gástrico) e Derivação Bilio-pancreática por Duodenal Switch.

 

Desde que o procedimento seja realizado em centros especializados com atenção de equipe multidisciplinar, os resultados são muito bons. A cirurgia por via de acesso laparoscópico apresenta risco muito baixo e rápida recuperação, sendo que a maioria dos pacientes retorna às atividades normais em cerca de 7 a 12 dias e, em 30 dias, está liberado para realização de atividade física. As novidades em relação as técnicas são o início do uso da cirurgia robótica e de alguns novos procedimentos endoscópicos que ainda seguem em avaliação de efetividade e segurança, porém, em breve, vai ser possível a identificação das melhores situações de indicação para estas novas tecnologias.

 

Já em relação aos tipos de cirurgias, as duas mais utilizadas são o Bypass Gástrico, que envolve uma redução do estômago de cerca de 85% associada com derivação intestinal, de modo a deixar o intestino de um a dois metros mais curto, e a Gastrectomia Vertical que resulta em um estômago com um terço de seu tamanho original, sem nenhum procedimento intestinal. Cada uma delas apresenta padrão de indicação específico sendo a escolha final dependente da opinião de cirurgião, equipe multidisciplinar e paciente.

 

Bypass gástrico é a técnica de cirurgia bariátrica mais utilizada no Brasil.

Qualquer que seja a escolha técnica é importante que os operados e candidatos à cirurgia tenham pleno conhecimento de que, na verdade, a opção não é por uma cirurgia, mas, sim, por um programa de tratamento que, além da operação, envolva mudanças profundas do estilo de vida com reeducação alimentar, atividade física regular e acompanhamento. Suplementação protéico-vitamínico-mineral também faz parte do tratamento e vai depender da evolução de cada paciente e do resultados de exames que devem ser realizados periodicamente pelos operados.

 

Embora inicialmente de acordo com uma visão mais de princípios físicos, as cirurgias se dividiam como restritivas, malabsortivas e mistas, hoje, sabe-se que o efeito fisiológico, por meio das mudanças hormonais e vias de sinalização no sistema nervoso central representam os mecanismos mais importantes para emagrecimento e controle das doenças relacionada à obesidade. Aliás, esse é outro dado sobre a visão moderna dessa cirurgia. Muito mais que um procedimento para emagrecer, trata-se de uma cirurgia com objetivo de melhorar a saúde de uma forma mais ampla agregando qualidade de vida.

 

*Colunista: Dr. Almino Cardoso Ramos, cirurgião co-responsável pelo Departamento de Cirurgia Bariátrica da Abeso, Diretor Geral da Clínica Gastro Obeso Center – SP/Brasil, Secretário Geral e Tesoureiro da IFSO – International Federation for Study of Obesity and Metabolic Disorders. Presidiu a SBCBM – Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica na gestão2013-2014.

 

Fotos: Canadian Obesity Network / Pixabay

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