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Cirurgia bariátrica contribui para o controle da hipertensão

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O Barilive desta terça-feira (18),  transmissão ao vivo, realizada pelo Facebook da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), abordou o tema “Cirurgia bariátrica controla a hipertensão?”.

Participaram o cirurgião bariátrico e ex-presidente da SBCBM, Ricardo Cohen; o cirurgião bariátrico e pesquisador do HCor, Carlos Aurelio Schiavon e o cardiologista e Diretor da Unidade de Hipertensão da Disciplina de Nefrologia da FMUSP, Luciano Drager. A população participou do debate enviando dúvidas e  perguntas frequentes pela página da SBCBM.

De acordo com o cardiologista,Luciano Drager, a obesidade aumenta em até 4 vezes as chances de um indivíduo ser hipertenso, mas nem todos os obesos têm pressão alta. “Existem diversas explicações do porque uma pessoa que ganha peso acaba aumento a pressão com o passar do tempo; se formos falar de um ponto de vista popular tem o aumento da descarga de adrenalina no corpo, a produção de alguns hormônios”, disse. “A obesidade com certeza é a principal causa de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e uma importante causa do infarto e da perda do rim, em que o indivíduo precise fazer diálise”, complementou.

ESTUDO – Um estudo coordenado por Schiavon apontou que a cirurgia bariátrica, via  bypass gástrico, resultou na remissão da doença para os hipertensos, sem a necessidade de uso de medicamentos um ano em 51% para os pacientes operados. Os especialistas continuam a acompanhar os pacientes para verificar uma possível necessidade medicamentosa futura. “O estudo mostra que nós conseguimos sim um controle muito bom baixando o número de remédio. Não acontece a retirada total de medicamentos em todos os pacientes, mas muitos conseguem reduzir o medicamento e manter a pressão mais controlada”, explicou Schiavon.

O cardiologista afirmou que ainda não é possível identificar quais pacientes não vão precisar tomar o medicamento após a cirurgia. “Podemos dizer que existe a chance de 80% de reduzir em pelo menos 30% as medicações, conforme o estudo”.

Esse foi o primeiro estudo realizado com foco da redução da hipertensão com cirurgia bariátrica. “Sou otimista, outros estudos vão surgir e o nosso estudo vai ter mais anos de andamento e vamos poder mostrar se esse efeito é duradouro, quem sabe daqui alguns anos possamos levar essa proposta ao Conselho Federal de Medicina para que os pacientes com hipertensão e obesidade grau 1 possam ser beneficiados”, afirmou Schiavon.

O cardiologista alertou que os pacientes sempre devem controlar a doença. “Tendo ou não diagnóstico é necessário sempre medir a pressão e ir periodicamente ao cardiologista. Precisamos lembrar que ela não apresenta sintomas, é uma doença silenciosa”.

No total, participaram do estudo 100 pacientes e 96% deles completaram o tratamento. Confira o estudo na íntegra: https://www.ahajournals.org/doi/pdf/10.1161/CIRCULATIONAHA.117.03213

Alimentação – As restrições da dieta após a cirurgia bariátrica também ajudam no controle da hipertensão arterial. “Principalmente nos primeiros dias, quando a alimentação é muito restrita, com certeza o paciente vai reduzir o consumo de sal e a redução de sal é um dos tratamentos para a pressão, mas temos convicção de que tem outras coisas. Sabemos que tem alteração da adrenalina, da insulina, hormonais e esses efeitos todos vão colaborar na baixa e na manutenção dessa pressão baixa”, explicou o autor da pesquisa.

De acordo com Drager, a redução do sal é importante principalmente na nossa sociedade que é acostumada a ingerir pelo menos três vezes mais do que a quantidade recomendada. “O ideal é que o paciente hipertenso consuma no máximo seja de 6 a 7 gramas por dia e, se reduzir isso, sabemos que terá a redução da pressão e isso com certeza auxilia na redução da pressão, assim como se praticar exercícios, mas nada se compara a magnitude de uma cirurgia bariátrica”, disse. “A redução de sal é árdua de fazer e sabemos que é difícil de manter a longo prazo”, complementou.

Técnicas de operação – O estudo sobre a redução da hipertensão avaliou os resultados com o Bypass. “Nós não tínhamos equipe o suficiente para avaliar os dois tipos de operação e optamos pelo Bypass por ele apresentar melhores resultados, inclusive na redução da diabetes, de acordo com os estudos da época. Hoje sabemos, por novas análises, que não há uma diferença significativa do bypass com gastrectomia vertical, mas que o bypass ainda é mais eficaz no controle de doenças associadas”, explicou.

Os grupos de pacientes hipertensos com histórico familiar têm menos chances de ter a redução da pressão com a operação. “Aqueles já tinham a doença antes de engordar, ou há muitos anos, ou com histórico familiar forte. O paciente com certeza teria benefício em relação a cirurgia, mas talvez a redução da pressão não seria o principal. É necessário lembrar que o maior benefício da bariátrica é a luta contra a obesidade”, disse Schiavon.

O bariátrico Cohen afirmou que a cirurgia bariátrica é um procedimento seguro, com mortalidade baixa e que não há como apontar diferenças nos resultados devido a forma de cirurgia adotada, aberta ou fechada. “Ainda não há evidências para cirurgias que existem há 80 anos, 100 anos, muito menos aquelas que começaram agora e são procedimentos em estudo, não podemos afirmar que o tratamento endoscópico bariátrico tem algum papel no tratamento de hipertensão, diabetes ou outras doenças associadas, faltam estudos e muitos estudos”, disse.

Barilive – O Barilive acontece todas as terças-feiras, às 20 horas, com transmissão ao vivo pelo Facebook. Quem acompanhar pode mandar perguntas que serão respondidas ao vivo pelo convidados.

A iniciativa da Sociedade visa informar a população sobre temas relacionados à cirurgia bariátrica.­

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