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Cirurgia bariátrica por videolaparoscopia é incorporada no SUS

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De acordo com a SBCBM – Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica no ano passado foram realizadas cerca de 100 mil cirurgias bariátricas em todo País. Desse total apenas 10% dos procedimentos foram feitos na rede pública

A Portaria n° 5, de 31 de janeiro de 2017, publicada hoje (01.02) no Diário Oficial da União, oficializa a incorporação da videolaparoscopia nos procedimentos de cirurgias bariátricas realizadas pelo SUS – Sistema Único de Saúde. “É uma grande conquista por se tratar de uma reivindicação antiga da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica e com certeza terá um efeito positivo nos serviços de cirurgia bariátrica da rede pública e, principalmente, para os pacientes que aguardam para realizar a cirurgia”, comemora Dr. Caetano Marchesini, presidente da SBCBM.

No ano passado foram realizadas cerca de 100 mil cirurgias bariátricas em todo País. Desse total, apenas 10% dos procedimentos foram feitos na rede pública. “Com a videolaparoscopia podemos ampliar os atendimentos no SUS, pois tanto a cirurgia quanto a recuperação do paciente demandam um tempo menor”, acrescenta Dr. Caetano.
Considerado um procedimento menos invasivo e, consequentemente, mais seguro a laparoscopia possibilita ao paciente um tempo menor de recuperação. A cirurgia não tem indicação como tratamento estético e sim para melhora de doenças associadas à obesidade e qualidade de vida. Deve ser recomendada apenas para pacientes com IMC igual ou maior que 40kg/m² e pode ser realizada em casos de IMC entre 35kg/m² e 40kg/m², desde que o paciente tenha comorbidades como, por exemplo, diabetes e hipertensão.

Aberta x Laparoscópica

As diferenças começam nos dias de internação. Na cirurgia aberta são necessários de três a quatro dias de internação, já no procedimento laparoscópico geralmente são apenas dois dias.
Na cirurgia realizada por videolaparoscopia são feitas cinco ou seis pequenas incisões no abdômen de 0,5cm e 1cm para a introdução das cânulas por onde são introduzidas as pinças para realizar o procedimento e uma câmera, responsável pela visualização do mesmo, na cirurgia aberta esta incisão pode variar de 15cm a 30cm.
Enquanto na cirurgia aberta os pacientes levam de 30 a 60 dias para voltarem as suas atividades de trabalho, na cirurgia laparoscópica eles estarão liberados em 15 dias. Dentre as vantagens estão a diminuição do risco de hérnias e infecção da ferida cirúrgica, retorno precoce às atividades, diminuição do risco de complicações pulmonares e menor dor pós-operatória.

Indicações para a Cirurgia Bariátrica

A SBCBM segue as diretrizes que foram estabelecidas em reunião conjunta com Ministério da Saúde e Conselho Federal de Medicina, que gerou a Resolução CFM n° 1.766, de 2005, atualizada posteriormente para resolução CFM n° 2.131/15. Nela estão definidas as indicações para a cirurgia bariátrica, como deve ser montada a equipe multidisciplinar que fará o acompanhamento de cada paciente, os tipos de cirurgias autorizadas no Brasil, além de outras diretrizes legais.

Antes da cirurgia vale destacar que a primeira recomendação para o tratamento da obesidade deve ser o tratamento clínico pela mudança de estilo de vida, com reeducação alimentar, a adoção de hábitos saudáveis e exercícios físicos regulares. O passo seguinte é a associação de medicamentos que auxiliem na perda de peso. Quando o médico e o paciente se convencem de que se esgotou a tentativa de tratar a obesidade exclusivamente pela mudança do estilo de vida, a alternativa mais eficaz é a cirurgia bariátrica e metabólica.

De acordo com as orientações da resolução a cirurgia é liberada apenas para pacientes com IMC igual ou maior que 40kg/m² e pode ser realizada em casos de IMC entre 35kg/m² e 40kg/m², desde que o paciente tenha comorbidades como, por exemplo, o diabetes. O IMC é calculado a partir da divisão do peso pela altura ao quadrado.

O preparo pré-operatório visa diminuir o risco para a cirurgia e otimizar a segurança e os resultados metabólicos e melhora de outras comorbidades. Problemas de saúde que o paciente já venha apresentando devem ser compensados da melhor forma possível com otimização das medidas necessárias como ajuste de doses de medicamentos, dieta específica, fisioterapia e preparo psicológico. Nessa fase, também é obrigatório o preenchimento do documento Consentimento Informado, no qual o paciente reconhece estar devidamente informado sobre os benefícios e riscos da cirurgia.

No pós-operatório, além do acompanhamento nutricional, o acompanhamento psicológico também é muito importante e deve ser sempre preventivo e educativo. É necessário considerar o aparecimento de novos fatores de estresse e ansiedade após a cirurgia. Além disso, o paciente pode criar expectativas que não serão atingidas e também em relação à velocidade de melhora.

A SBCBM celebra a determinação desta portaria e acredita que o próximo passo será oferecer aos cirurgiões acesso à capacitação e treinamento em cirurgia bariátrica por videolaparoscopia.
Sobre a SBCBM

A SBCBM – Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica foi fundada em 1996. Inicialmente batizada como SBCB – Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, em 2006 a entidade inseriu a palavra “Metabólica” em seu nome, devido à crescente importância da cirurgia metabólica na comunidade médica.

Possui atualmente mais de 1,7 mil associados entre cirurgiões e especialidades associadas (endocrinologista, cardiologista, educadores físicos, cirurgiões plásticos, fisioterapia, enfermagem, odontologia, fonoaudiologia, nutricionista e nutrólogo e psiquiatra e psicólogo) com representantes no país por meio de capítulos ou delegacias.

A cirurgia bariátrica vem crescendo expressivamente no Brasil, que é o segundo país com mais cirurgias realizadas. Em 2012, foram feitas 72 mil cirurgias no País, em 2013, 80 mil procedimentos, em 2014, cerca de 88 mil, em 2015 foram realizados cerca de 93,5 mil procedimentos e em 2016, 100 mil cirurgias. Do número total de cirurgias feitas no Brasil estima-se que 10% sejam feitas pelo SUS.

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