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Cirurgia metabólica contribui para remissão da Diabetes Tipo 2

Cirurgia metabólica contribui para remissão da Diabetes Tipo 2

A Cirurgia Metabólica – que comprovadamente contribui para a remissão da  diabetes mellitus Tipo 2 (DM2) – pode ser indicada  para pacientes com Índice de Massa Corporal entre 30 Kg/m2 a 35 Kg/m2.

Em dezembro de 2017, o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou a resolução Número 2.172, que traz novas regras e ampliam a indicação da cirurgia metabólica para o tratamento de pacientes com diabetes.

“A diabetes tipo 2 está diretamente associada à obesidade. Cerca de 9% da população brasileira convive com o diabetes. São mais de 14,3 milhões de pessoas que poderão ter a cirurgia metabólica como opção terapêutica, caso o tratamento clinico não apresente resultados ”, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), Caetano Marchesini.

Além do IMC e da ausência de resposta ao tratamento clínico, outros critérios para a indicação da cirurgia metabólica são a idade mínima de 30 anos e máxima de 70 anos e ter menos de dez anos de diagnóstico de diabetes.

CIRURGIA METABÓLICA X BARIÁTRICA – Na cirurgia metabólica ocorre o mesmo procedimento da cirurgia bariátrica. A diferença entre as duas é que a cirurgia metabólica visa o controle da doença. Já a cirurgia bariátrica tem como objetivo a perda de peso, com as metas para contenção das doenças, como o diabetes e hipertensão, em segundo plano.

De acordo com os estudos analisados, a cirurgia metabólica é segura e apresenta resultados positivos de curto, médio e longo prazos, diminuindo a mortalidade de origem cardiovascular, conforme demonstram estudos prospectivos pareados com mais de 20 anos de seguimento, séries de casos controlados, além de estudos randomizados e controlados.

O ex-presidente da SBCBM, cirurgião Thomas Szego, comemorou a regulamentação da proposta que   representa uma grande conquista para os cirurgiões bariátricos do Brasil.

“Esta é uma luta muito longa da SBCBM. Participamos de diversas reuniões – realizadas em São Paulo e Brasília e que incluíram a participação dos endocrinologistas – até chegarmos ao documento final”, disse Szego.

Técnicas – O CFM definiu também que a cirurgia metabólica para pacientes com DM2 se dará, prioritariamente, por bypass gástrico com reconstrução em Y-de-Roux (BGYR). Somente em casos de contraindicação ou desvantagem da BGYR, a gastrectomia vertical (GV) será a opção disponível. Nenhuma outra técnica cirúrgica é reconhecida para o tratamento desses pacientes.

Reconhecimento – Em 2011, a International Federation of Diabetes (IFD) introduziu a cirurgia metabólica nos algoritmos de tratamento de diabetes mellitus tipo 2 como alternativa para pacientes com IMC entre 30 kg/m2 e 35 kg/m2 desde que a doença não tenha sido controlada apesar de tratamento medicamentoso otimizado e associada a fatores de risco para doença cardiovascular.

Nos anos de 2013 e 2014, a American Society for Metabolic and Bariatric Surgery (ASMBS) e a International Federation for the Surgery of Obesity and Metabolic Disorders (IFSO), respectivamente, recomendaram a cirurgia para pacientes com diabetes, sem controle da doença após tratamento clínico e mudança no estilo de vida.

O National Institute for Health and Care Excellence (NICE) passou a recomendar, em 2014, o tratamento cirúrgico para pacientes com mesmo perfil desde que o diagnóstico da doença seja inferior a 10 anos.

Por fim, em 2016, 49 associações médicas de diferentes países revisaram as recomendações para o tratamento da diabetes e reconheceram a cirurgia metabólica como opção para o tratamento de diabetes e inadequado controle glicêmico após tratamento clínico.

 

Normas da resolução

  • Paciente precisa ter diabetes miellitus tipo 2 e ter IMC entre 30 kg/m² e 34,9 kg/m²
  • Paciente precisa ter mais de 30 anos e no máximo 70 anos
  • Paciente precisa ter diabetes miellitus tipo 2 há menos de 10 anos
  • A indicação cirúrgica  precisa ser feita por dois médicos especialistas em endocrinologia
  • Para indicação, é necessário um parecer que mostre que o paciente apresentou resistência ao tratamento clínico com antidiabéticos orais e/ou injetáveis, mudanças no estilo de vida e que compareceu ao endocrinologista por no mínimo dois anos
  • Paciente não pode ter contraindicações para a cirurgia