Cirurgia metabólica: uma nova perspectiva para o paciente com diabetes tipo 2

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A medicina está dando uma nova chance para pessoas com diabetes tipo 2, a forma mais comum da doença que afeta geralmente pessoas obesas ou com excesso de peso. Trata-se da Cirurgia metabólica, uma variação da bariátrica usada na obesidade, que se consolida como uma alternativa para pessoas com diabetes tipo 2 que não conseguem controlar a doença.

No Brasil, a Cirurgia Metabólica já vem sendo utilizada há mais de uma década como um procedimento “off label”,  por ter sido originalmente regulamentada apenas para obesos, com índice de massa corporal (IMC) maior do que 35. Entretanto, desde 2017 o Conselho Federal de Medicina estendeu sua indicação para pessoas com menor grau de obesidade (IMC maior que 30), abrindo o caminho para um maior número de pessoas que não conseguem manter a doença controlada e buscam reduzir o risco das complicações.

Antes do Brasil diversas instituições de outros países já recomendavam  a cirurgia para pacientes selecionados. Entre eles estão o  National Institute for Health and Care Excellence (NICE) do Reino Unido e a International Diabetes Federation. Boa parte da população, porém, não tem conhecimento dos potenciais benefícios e  da possibilidade de tratar com cirurgia uma doença que sempre foi tida como incurável e de manejo apenas medicamentoso.

No último dia 15 de fevereiro, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) promoveu, em São Paulo, um encontro intitulado “Novas Fronteiras no Tratamento de Diabetes Tipo 2”, e que contou com a presença de 12 sociedades médicas do Brasil.

Representantes de cada uma das especialidades médicas apresentaram o cenário atual e a demanda urgente para o tratamento do diabetes e suas complicações, analisando os recentes avanços no tratamento farmacológico e cirúrgico.

Participaram das discussões as Sociedades Brasileiras de Cardiologia, Diabetes, Nefrologia, Oftalmologia, Endocrinologia, Cirurgia Vascular, Hepatologia e Nutrologia, alem do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, do Colegio Brasileiro de Cirurgia Digestiva e da Sociedade de Cirurgia Minimamente Invasiva e Robótica (SOBRACIL).

O presidente da SBCBM, Marcos Leão Vilas Boas, destacou a importância da cirurgia metabólica no tratamento do diabetes devido à grande frequências dessa enfermidade, e das graves complicações e riscos da doença não controlada. “Cerca de metade dos pacientes com diabetes não consegue controlar sua doença, e maioria também apresenta hipertensão arterial e colesterol elevado, aumentando em mais de dez vezes o risco de de infarto, derrame e complicações do diabetes.”

ESTUDOS – De acordo com os dados analisados, a cirurgia metabólica é segura e apresenta resultados positivos de curto, médio e longo prazo, diminuindo a mortalidade de origem cardiovascular, conforme demonstram casos controlados e estudos randomizados.

O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica (Sobracil) Carlos Domene, acredita que a cirurgia tem um papel importante no controle do diabetes.

“Existem caminhos para o tratamento. Os resultados da cirurgia, para o controle do diabetes, devem ser levados às especialidades que cuidam dos pacientes para que eles possam utilizar a cirurgia como uma ferramenta auxiliar no controle dessa doença grave, que vem junto com a obesidade e é um dos principais problemas de saúde pública no mundo, hoje”, declarou Domene.

Outro estudo recente feito no Brasil mostrou que a cirurgia bariátrica pode auxiliar o combate a este tipo de diabete em pessoas com obesidade leve.  O trabalho, publicado na revista Diabetes Care, da Associação Americana de Diabete, avaliou 66 pacientes com obesidade moderada (índice de massa corporal entre 30 e 35 kg/m²). Cerca de 88% dos participantes tiveram remissão do diabete – os médicos não costumam falar em cura. Depois de um período que variou de 3 a 26 semanas, eles deixaram de utilizar remédios orais e, desde a cirurgia, os sintomas não retornaram. Nos demais pacientes, mais de 11% registraram melhora no controle de açúcar no sangue. Todos os pacientes avaliados passaram por uma cirurgia conhecida como bypass gástrico, o mais popular tipo de cirurgia bariátrica no mundo.

“A cirurgia metabólica deve ser considerada como uma opção para tratar o DT2 em pacientes com obesidade grau 1, com a doença mal controlada apesar do tratamento médico”, afirmou o vice-presidente executivo da SBCBM, Luiz Vicente Berti.

O cirurgião, Caetano Marchesini, diretor científico e ex-presidente da SBCBM, ressaltou que a aprovação da cirurgia metabólica pelo CFM ocorreu com base em critérios que incluem a aplicabilidade clínica do procedimento, comprovação científica, segurança e eficácia.

“Esta medida coloca o Brasil ao lado de outros países como, por exemplo, a Inglaterra e os Estados Unidos, que já entenderam a importância de oferecer a cirurgia como opção terapêutica. Evidências científicas comprovam os benefícios da cirurgia metabólica que poderá ajudar um número grande de pessoa”, declarou Caetano Marchesini.

EVIDÊNCIAS – O coordenador do centro de obesidade do Hospital Oswaldo Cruz, cirurgião Ricardo Cohen, e uma das maiores referências mundiais no assunto, disse que as evidências científicas comprovam que a cirurgia além de trazer uma grande perspectiva de remissão da doença, demonstrou uma grande redução da mortalidade e nas complicações renais do diabetes após a cirurgia metabólica. “Se nós calcularmos os 13 milhões de diabéticos no Brasil, provavelmente nós temos 1,2 milhão de pacientes sem controle, mesmo tomando uma boa medicação. Precisamos oferecer essa opção, principalmente porque sabemos que os resultados da cirurgia com os remédios é muito melhor que o medicamento sozinho. O diabetes é uma doença crônica, progressiva e agressiva”, ponderou Cohen.

O cirurgião bariátrico e pesquisador do HCor, Carlos Aurelio Schiavon e o cardiologista e Diretor da Unidade de Hipertensão da Disciplina de Nefrologia da FMUSP, Luciano Drager,  falaram sobre o estudo coordenado por eles que resultou na remissão da hipertensão arterial com a cirurgia, após um ano em 51% para os pacientes operados. “O estudo mostra que nós conseguimos um controle muito bom reduzindo  o número de medicações. Muitas vezes não  há  a retirada total das drogas anti hipertensivas, mas no mínimo conseguem reduzir o medicamento e manter a pressão mais controlada”, explicou Schiavon

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