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Emagrecer com bariátrica: por que não é tão fácil como muitos julgam? Ex-obesa e médico explicam

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423-BXMuito longe de ser um procedimento estético, a cirurgia bariátrica é uma das soluções mais eficazes atualmente para combater a obesidade mórbida. O processo não é tão simples quanto pode parecer: seu principal objetivo não é fazer emagrecer, e sim tratar uma doença séria, muitas vezes atrelada a outras enfermidades como diabetes e pressão alta, além de melhorar a qualidade de vida do paciente. Quem se submete a ela precisa lidar com uma série de cuidados e restrições antes e depois da cirurgia, por toda a vida.

Para entender melhor como funciona a bariátrica, a professora Carolinne Cardoso, que passou pela cirurgia há pouco mais de dois anos e eliminou 62 kg, e o cirurgião Dr. Claudio Corá Mottin, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, explicam quais são os pontos mais críticos da operação e esclarecem a necessidade de disciplina e restrições para a recuperação adequada do corpo. São pontos importantes para levar em consideração antes de tomar a decisão de fazer a cirurgia. E também para esclarecer as dificuldades que estão atreladas ao procedimento, que a maioria desconhece.

Cirurgia bariátrica: depoimentos e dificuldades

Pós-operatório da cirurgia bariátrica

Um dos principais desconfortos relatados por pacientes no pós-operatório de bariátrica é o medo de voltar a comer pequenas porções após a dieta líquida. “Depois da cirurgia, precisei ficar um mês me alimentando só de líquidos, chega um momento em que você simplesmente não aguenta mais. Quando voltei a comer, sentia muito medo porque sempre achava que iria passar mal”, explica Carolinne. Em casa, o desconforto continuou por mais alguns dias. “Precisei ficar com um dreno na barriga durante dez dias e era muito difícil dormir. Ficava com medo de me movimentar e estourar alguma coisa, mas tive sorte de não sentir dor nesse período”, complementa.

Acompanhamento psicológico

Mais do que uma mudança na aparência, a cirurgia significou para Carolinne uma reviravolta na vida. “Tudo mudou na minha vida quando fiz a cirurgia e fazê-la foi a melhor decisão que tomei, mas tive ajuda para me preparar e manter esse novo estilo de vida”, explica.

De acordo com o Dr. Claudio, antes da cirurgia é necessário que o paciente passe por uma avaliação psiquiátrica, principalmente para verificar se está em condições de se comprometer com as mudanças radicais causadas pela operação. “Pessoas que têm distúrbios de humor ou compulsão por comida, por exemplo, precisam tratar o problema para não correr o risco de transferir o vicio para outro setor, como compras ou bebida”, explica.

Depois da cirurgia, o acompanhamento psicológico continua, afim de facilitar a transição. “Passei por sessões individuais e em grupo, depois, por um ano. Conversar com outras pessoas que também passaram por isso torna a recuperação menos difícil”, afirma Carolinne.

Deficiência nutricional

667-BXSegundo o cirurgião, a diminuição e dificuldade de absorção de nutrientes é um dos efeitos colaterais da bariátrica mais conhecidos. “Essa deficiência acontece em função das restrições alimentares necessárias após a cirurgia e a desequilíbrios hormonais decorrentes que, por exemplo, alteram o apetite e promovem sensação de saciedade mais rápido. Esse efeito faz com que a pessoa precisa fazer acompanhamento regrado com um nutricionista para o resto da vida”, explica.

Carolinne sentiu bem esse efeito. No que diz respeito à estética, o principal reflexo foi no cabelo – a dificuldade para absorver nutrientes intensificou a queda dos fios. No entanto, a falta de ferro no organismo é o fator de maior destaque: “Preciso tomar, diariamente, alguns complexos vitamínicos porque meu corpo praticamente não absorve ferro, provavelmente precisarei receber o mineral para sempre”, conta.
Síndrome de dumping: o que é?

Depois da cirurgia, uma série de cuidados com a alimentação são necessários para evitar sobrecargas no organismo, que podem gerar efeitos negativos – um deles é a síndrome de dumping. “Depois da operação, existe uma tendência forte de que a pessoa sofra com a síndrome se não seguir à risca a dieta e exagerar no consumo de alimentos gordurosos ou pesados, como carboidratos brancos. O resultado disso é uma reação muito desagradável: suor frio, coração acelerado, aumento da pressão, cólicas intestinais e diarreia são alguns dos problemas”, alerta o médico.

A professora define a síndrome como uma sensação extremamente desagradável, pela qual passou uma vez e faz de tudo para não repeti-la. “O dumping para mim está diretamente relacionado aos doces, que eu gosto muito, quando são mais fortes ou açucarados. Até hoje me sinto mal quando abuso um pouco e acho que continuarei assim sempre”, comenta.

Fonte: Bolsa de Mulher

Autora: Aline Pereira