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Enfermagem

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Alguns aspectos merecem atenção especial antes da cirurgia para que complicações sejam evitadas:

  • Continue tomando as medicações prescritas pelo seu médico; é muito importante que as doenças associadas à obesidade estejam sob controle(diabetes, hipertensão, hipotiroidismo, etc).
  • Observe se você apresenta febre, dor de garganta, tosse com secreção, dor ao urinar, ou qualquer outro sinal de infecção. Comunique o seu médico caso ocorram estas alterações.
  • Você não pode operar grávida ou amamentando. Portanto, tenha controle da data de sua última menstruação, comunique a equipe caso haja suspeita de gravidez e utilize métodos anticoncepcionais seguros sempre orientados pelo médico. Não há problema algum se estiver menstruada no dia da cirurgia.
  • Pare de fumar dois meses antes da cirurgia. O cigarro só traz prejuízos para a sua saúde. Além de todos os riscos, a nicotina prejudica a cicatrização da pele, o que pode levar à infecção.
  • O cuidado pré operatório é fundamental para uma boa cicatrização e uma boa evolução da ferida operatória.
  • Evite fazer depilações com antecedência, pois podem produzir microferimentos e abrem os folículos do pêlo, o que facilita a entrada de microorganismos. Se houver necessidade,a remoção dos pêlos será feita no hospital, pelo pessoal de enfermagem, obedecendo normas que previnem infecção.
  • Observe e comunique qualquer lesão de pele (calor local, vermelhidão, presença de secreção, furunculose, etc.) É muito importante o banho de chuveiro com sabonete antisséptico na manhã da cirurgia. Não use cremes ou pomadas neste dia.
  • Não vá para o centro cirúrgico com a cabeça molhada.
  • Mantenha as unhas curtas e sem esmaltes

Mesmo estimulando-se o auto cuidado e a independência, é muito bom que você tenha um acompanhante para prestar-lhe ajuda, principalmente na realização dos seus curativos que devem ser diários. O ideal é que você esteja confortavelmente deitado e o acompanhante deve então:

  • Lavar bem as mãos antes e depois de manipular a ferida operatória.
  • Calçar luvas de procedimento
  • Limpar a incisão com gazes embebidas em soro fisiológico
  • Comprimir em volta da incisão , fazendo expressão, com a finalidade de proporcionar a saída de secreção amarelada e sanguinolenta , comum nas cirurgias abertas
  •  Limpar novamente com gazes embebidas em soro fisiológico e enxugar com gazes secas
  • Cobrir a ferida operatória com gazes abertas ou coberturas descartáveis à base de algodâo (absorventes femininos)
  • Evitar o uso de fitas adesivas (esparadrapo, crepe, etc), pois o uso por tempo prolongado pode lesar a sua pele. Pode prender o curativo, fazendo uso de camisetas de algodão sobre a cobertura.
  • Posicionar a cinta tensora abdominal e fechá-la com média compressão
  • Qualquer alteração da ferida deve ser comunicada (febre, inflamação, presença de secreção escura,espessa e fétida, abertura de pontos)
  • Evitar o contato direto com animais
  • O banho é normal, de chuveiro, e a ferida operatória pode ser lavada com sabonete neutro (de preferência líquido) e utilizar gazes para enxugá-la.
  • Lavagem diária com sabonete neutro nas pequenas incisões
  • Secagem com gazes
  • Manter as pequenas incisões descobertas
  • Normalmente a revisão da ferida e a retirada de pontos ocorrem por volta do décimo quinto dia; o procedimento é realizado pela equipe em consultório ou ambulatório.

Os drenos permitem a saída de ar e secreções que comumente se acumulam no local da operação. Servem ainda como sentinela, para identificar sangramentos e eliminações anormais, auxiliando a equipe cirúrgica a monitorar as complicações cirúrgicas.

O tempo de permanência do dreno varia de acordo com a sua finalidade, e o seu cirurgião que indicará o momento certo da sua retirada.

  •  Limpar em volta do orifício por onde sai o dreno com gazes umidecidas com soro fisiológico( cuidado com trações exageradas, para não puxar e provocar a sua saída antes do tempo).
  • Observar e anotar a quantidade e as características dos líquidos que saem na bolsa coletora ou no próprio curativo. É uma informação importante para o seu cirurgião.
  • No dia da retirada do dreno, mantenha a calma, pois o procedimento não causa dor, nem desconforto, sendo realizado rapidamente em consultório ou ambulatório.

O seu jejum se inicia 8 a 12 horas antes do horário da cirurgia. Lembre-se de que não pode tomar nem água. Por isso, é muito importante a manutenção do soro na veia do braço ou da mão , principalmente para assegurar a sua hidratação. As medicações também serão feitas no soro enquanto estiver mantendo jejum. Após 24 horas, se tudo estiver bem, normalmente o cirurgião prescreve a dieta líquida e medicações trituradas e diluídas , via oral.

As pessoas obesas, submetidas à cirurgia, apresentam riscos de complicações como a embolia, que podem ser prevenidos:

  • Fazer uso de meias elásticas ou enfaixamento das pernas durante a cirurgia (não se preocupe, a enfermagem fará isso por você).
  • Você deve andar 6 horas após a sua chegada no leito, contando com o auxílio da enfermagem e do seu acompanhante.
  • Procure deitar no período noturno; aproveite o dia para ficar sentado na poltrona e para passear no corredor. Por isso, deve levar para o hospital roupas confortáveis e chinelos anti-derrapantes.Não esqueça de um agasalho no inverno. Cuidado com acidentes e quedas nessa fase de recuperação!
  • O seu médico prescreverá medicação anticoagulante injetável , caso julgue necessário.

A cinta tensora abdominal é muito útil nas cirurgias abertas, pois auxiliam na contenção , proporcionando redução de risco para abertura de pontos e formação de hérnias (incisionais). Deve ser usada por 60 dias, sendo que , em alguns casos, o tempo de uso pode ser prolongado. Deve ser retirada apenas na hora do banho, sendo mantida por todo o restante do dia e noite com compressão média. Para maior conforto e segurança, devem ser colocadas e retiradas com o paciente deitado.O ideal é que sejam confeccionadas sob medida e que não contenham material metálico. Os modeladores, também sob medida, têm sido muito úteis, pois têm auxiliado na contenção dos tecidos flácidos em consequência da perda de peso progressiva , o que é comum pós cirurgia bariátrica.

Considerando-se a obesidade uma doença com causas multifatoriais, a sua abordagem deve seguir um padrão interdisciplinar onde a diversidade do saber assume importância relevante para que o paciente seja beneficiado.

Quando a obesidade é mórbida e determina o tratamento cirúrgico, a enfermagem desempenha importante papel, desenvolvendo atividades sistematizadas nas fases pré-operatória, intra-operatória e pós-operatória.

O planejamento da assistência de enfermagem é fundamental, pois a enfermeira trabalha com uma equipe composta por técnicos e auxiliares de enfermagem, aos quais delega atividades específicas, levando-se em conta as questões éticas da profissão, pois determinados procedimentos são privativos do profissional enfermeiro.

Na cirurgia bariátrica, trabalhamos com pacientes que apresentam certas peculiaridades. De uma maneira geral, são pessoas que chegam á equipe cirúrgica com todas as tentativas e recursos de emagrecimento esgotados; trazem uma extensa bagagem de frustrações e um cansaço aparente, porém aliados a uma vontade latente de “aprender a mudar”. E a vontade é tanta, que tornam-se mais ansiosos, imediatistas, querendo abreviar o tempo e as etapas para resolverem logo os seus problemas, depositando na equipe e na própria cirurgia, todas as suas boas esperanças.

Apresentam doenças associadas à obesidade, com vários graus de gravidade, como hipertensão, diabetes, artropatias, distúrbios hormonais, dislipidemia, entre outras, além dos fatores psicológicos e sociais.

Vinculam a imagem do bisturi à “varinha de condão” – daí a necessidade da interdisciplinaridade para auxiliá-lo a enfrentar a realidade e envolvê-lo de forma responsável com todas as etapas do tratamento cirúrgico e com as mudanças consequentes.

Sabe-se também, que as propostas de técnicas cirúrgicas são diversas e que cada cirurgião opta por determinado método. Porém, para a enfermeira e sua equipe (técnicos e auxiliares), qualquer que seja a técnica, a assistência é a mesma que se presta a qualquer paciente obeso, seja no consultório, no leito hospitalar, no centro cirúrgico ou em casa. O que difere, são as orientações sobre cada técnica, como os cuidados com a ferida operatória que dependem da via de acesso (convencional ou por videolaparoscopia), a providência de materiais e as peculiaridades individuais que cada paciente apresenta, intimamente relacionadas com o índice de massa corpórea. Porém uma coisa é certa: trabalha-se sempre com mudança de hábitos e com o estresse que qualquer hospitalização ou procedimento invasivo provocam no paciente.

  • Então, como preparar o paciente obeso mórbido?Ele seria “diferente” de qualquer outro paciente cirúrgico?

Se partirmos do princípio de que a enfermeira atende às necessidades humanas básicas afetadas, podemos afirmar que o paciente obeso mórbido necessita de atenções especiais.

  • E por quê?

Porque qualquer indivíduo com o índice de massa corpórea elevado, apresenta dificuldades e comorbidades de diversas ordens (físicas, psicológicas e sociais) que podem estar isoladas ou combinadas entre si.

Portanto, o “cuidar” deve ser previsto e planejado, para que a enfermeira possa atendê-lo de maneira segura e com conhecimento técnico e científico.

A enfermeira tem também a missão de sensibilizar os técnicos e auxiliares para que não resistam às práticas e aos cuidados. A assistência de enfermagem perioperatória engloba inúmeros procedimentos que iniciam na concepção de um consultório, até as várias fases da hospitalização e do retorno ao lar.

Estes procedimentos são dificultados e acabam se tornando complexos pelo próprio excesso de gordura e por isso, precisam ser cuidados por profissionais seguros e esclarecidos.

São necessários materiais, utensílios, móveis e instrumentais adequados e que favoreçam o tratamento. É preciso saber lidar com as diferenças anatômicas do obeso mórbido, o que determina o grau de dificuldade na sua mobilização, higiene, acomodação, transporte e procedimentos invasivos. Por muitas vezes, são portadores de patologias psiquiátricas ou transtornos alimentares, merecendo muita atenção, principalmente no que se refere aos psicotrópicos em uso.

O obeso mórbido não pode ser visto ou compreendido de forma fragmentada e sim de forma global, como um todo, e deve estar comprometido com o tratamento a curto, médio e longo prazo.

O processo cirúrgico é dividido em fases: pré-operatória, intra-operatória e pós-operatória (imediata e tardia). Por isso, o preparo também deve ser dividido e as informações fracionadas e traduzidas por meio de linguagem clara e acessível, ou seja, os inúmeros termos técnicos devem se explicados. As suas fantasias com relação aos procedimentos e materiais devem ser vivenciadas. Podemos permitir, por exemplo, que ele manipule o grampeador, ou o anel de silicone. Tais procedimentos quando utilizados podem ser antecipados, podem ser aprendidos, o que contribui muito para a promoção do auto-cuidado e da independência. Os acompanhantes que participam deste processo educativo auxiliam muito na recuperação do paciente, além de se sentirem gratificados pelo fato de serem úteis – o paciente torna-se “nosso” e sente-se protegido nos diversos âmbitos.

Tem sido muito didática e produtiva a realização das “oficinas de cuidados”, onde a enfermeira e toda a equipe interdisciplinar têm a oportunidade de interagir com os pacientes e acompanhantes, simulando situações que terão que enfrentar, como realização de curativos, familiarização com materiais, demonstração da dieta líquida, exercícios respiratórios e motores, entre outros. É visível o interesse e a satisfação dos participantes quando percebem que é possível fazer, que conseguem aprender. Os recursos áudio visuais, que projetam o “passo a passo”, despertam a atenção e são muito instrutivos.

A consulta de enfermagem nas fases pré e pós-operatórias, talvez seja o ”carro chefe” na abordagem de enfermagem porque apresenta várias interfaces na realização de objetivos fundamentais:

  • Conhecimento mútuo entre enfermeira e paciente, gerando o vínculo de confiança.
  • Realização do histórico de enfermagem, que permite formalizar, sistematizar e organizar a entrevista, resultando num documento que armazena todos os dados do paciente, tais como; identificação, doenças associadas, resultados de exames, antecedentes, medicações em uso, hábitos, observações, condições de pele e outros, que no final é assinado pelo paciente e enfermeira.
  • Organização de todos os exames em pasta personalizada.
  • Lista do enxoval e manual de orientações de enfermagem.
  • Avaliação do questionário de entendimento e assinatura com testemunhas do termo de consentimento informado.

Durante a hospitalização, os laços se estreitam entre paciente e equipe de enfermagem, pois o paciente se entrega à nossa responsabilidade. Os cuidados são mais específicos, mais próximos e a prescrição médica precisa ser rigorosamente cumprida, o que exige destreza, conhecimento, pontualidade e compromisso.

Todos os setores do hospital de certa forma estão envolvidos com o ato de “cuidar” e a enfermeira transita nas diversas funções assistenciais e administrativas, estabelecendo constante intercâmbio entre a prestação dos cuidados e procedimentos burocráticos. Participa, por exemplo, da escolha, compra, manutenção e preparo de um instrumental, até a sua utilização no campo cirúrgico.

A enfermeira interage por todo o tempo e de diversas formas com toda a equipe cirúrgica, hospitalar e ambulatorial, na árdua tarefa de “fazer acontecer”.

Após quinze dias do ato cirúrgico o paciente poderá retorna em consultório de enfermagem, sendo realizado o exame físico, evolução, avaliação da ferida operatória seguida de retirada de pontos (se necessário), realização do curativo e posicionamento da cinta abdominal quando utilizada. Recebem orientações gerais e encaminhamento ao cirurgião no mesmo dia.