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Estudo propõe mapeamento genético para combater a obesidade

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Objetivo não é criar “pílula” milagrosa, mas compreender como os genes ligados ao ganho de peso agem e melhorar os tratamentos para quem necessita emagrecer e não obtém sucesso; cirurgia bariátrica continua como opção mais efetiva e segura

 

A pesquisa genética também pode contribuir no combate ao preconceito contra pessoas com obesidade.

A pesquisa genética também pode contribuir no combate ao preconceito contra pessoas com obesidade.

Um grupo de pesquisadores americanos está montando um banco de dados genéticos sobre obesidade. O objetivo do estudo, conduzido no Texas Biomedical Research Institute em parceria com a organização não-governamental Take Off Pounds Sensibly (TOPS), é coletar informações de pessoas com obesidade para analisar como os genes delas se comportam e criar tratamentos mais assertivos.

 

“O que desejamos não é encontrar uma pílula milagrosa, mas coletar informações que eventualmente ajudem nossos filhos e netos a encontrar maneiras mais efetivas de perder e controlar o peso”, explica Michael Olivier, PhD e codiretor do Departamento de Genética no Texas Biomedical Research Institute.

 

A obesidade é uma doença crônica e multifatorial. Muitas pessoas acham que o excesso de peso é resultado apenas dos hábitos alimentares e da falta de exercícios físicos regulares, mas a genética tem papel determinante no surgimento desta doença.

 

Recentemente uma pesquisa sobre a hereditariedade da obesidade ganhou destaque na mídia, mas diversos estudos têm se debruçado sobre a influência dos genes na obesidade e na dificuldade em perder e controlar o peso. A cirurgia bariátrica e seus mecanismos de ação também são pesquisados por alterações provocadas nos genes dos pacientes.

 

“Diversos estudos conduzidos na última década mostram alterações na expressão genética de pacientes submetidos ao tratamento cirúrgico da obesidade”, comenta o Dr. Josemberg Campos, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM).

 

Apesar de ainda precisarem ser mais bem investigadas, estas alterações promovidas pela cirurgia bariátrica são capazes de mudar como o corpo funciona de forma a combater a obesidade e controlar o peso.

 

“Nós sabemos, por exemplo, que a produção de certos hormônios, como a leptina, que regula a fome e a saciedade, é melhorada após cirurgias bariátricas. Isto é fundamental para a eficiência do tratamento em longo prazo”, explica o presidente da SBCBM.

 

A ciência já reconhece a influência de fatores genéticos na obesidade.

A ciência já reconhece a influência de fatores genéticos na obesidade.

Estigma da obesidade
O estudo americano também pode oferecer ganhos importantes no combate ao preconceito contra pessoas com obesidade. A crença de que o excesso de peso é simplesmente resultado de hábitos alimentares ruins e falta de exercícios físicos contribui para a marginalização de pessoas com obesidade, aumentando a exclusão social destas pessoas e agravando ainda mais o problema.

 

“Além dos possíveis avanços no combate à obesidade que o estudo pode trazer, esperamos que ele também ajude a desmistificar a ideia de que a obesidade é simplesmente uma questão de escolhas. Ninguém escolhe ficar doente”, diz o presidente da SBCBM.

 

Sobre a Cirurgia Bariátrica
A SBCBM segue as diretrizes que foram estabelecidas em reunião conjunta com Ministério da Saúde e Conselho Federal de Medicina, que gerou a Resolução CFM n° 1766, de 2005, atualizada posteriormente para resolução CFM n° 2.131/15. Nela estão definidas as indicações para a cirurgia bariátrica, como deve ser montada a equipe multidisciplinar que fará o acompanhamento de cada paciente, os tipos de cirurgias autorizadas no Brasil, além de outras diretrizes legais.

 

Antes da cirurgia vale destacar que a primeira recomendação para o tratamento da obesidade deve ser o tratamento clínico pela mudança de estilo de vida, com reeducação alimentar, a adoção de hábitos saudáveis e exercícios físicos regulares. O passo seguinte é a associação de medicamentos que auxiliem na perda de peso. Quando o médico e o paciente se convencem de que se esgotou a tentativa de tratar a obesidade exclusivamente pela mudança do estilo de vida, a alternativa mais eficaz é a cirurgia bariátrica e metabólica.

 

De acordo com as orientações da resolução a cirurgia é liberada apenas para pacientes com IMC igual ou maior que 40kg/m² e pode ser realizada em casos de IMC entre 35kg/m² e 40kg/m², desde que o paciente tenha comorbidades como, por exemplo, o diabetes. O IMC é calculado a partir da divisão do peso pela altura ao quadrado.

 

O preparo pré-operatório visa diminuir o risco para a cirurgia e otimizar a segurança e os resultados metabólicos e melhora de outras comorbidades. Problemas de saúde que o paciente já venha apresentando devem ser compensados da melhor forma possível com otimização das medidas necessárias como ajuste de doses de medicamentos, dieta específica, fisioterapia e preparo psicológico. Nessa fase, também é obrigatório o preenchimento do documento Consentimento Informado, no qual o paciente reconhece estar devidamente informado sobre os benefícios e riscos da cirurgia.

 

No pós-operatório, além do acompanhamento nutricional, o acompanhamento psicológico também é muito importante e deve ser sempre preventivo e educativo. É necessário considerar o aparecimento de novos fatores de estresse e ansiedade após a cirurgia. Além disso, o paciente pode criar expectativas que não serão atingidas e também em relação à velocidade de melhora.

 

Fotos: World Obesity Federation, Pixabay (CC0)

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