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Obesidade infanto-juvenil foi destaque no 2° dia e programação de COESAS aborda temas psicológicos, nutricionais e de atividade física

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O americano Alfons Pomp apresenta aula sobre obesidade infanto-juvenil no 2° dia do XVI Congresso da SBCBM.

O americano Alfons Pomp apresenta aula sobre obesidade infanto-juvenil no 2° dia do XVI Congresso da SBCBM.

O segundo dia do XVI Congresso da SBCBM começou com palestras de dois renomados cirurgiões internacionais. O chileno Marcos Berry abordou um tema polêmico e que ganha importância conforme a obesidade se torna mais presente entre jovens e adolescentes: a cirurgia bariátrica e metabólica infanto-juvenil. Alfons Pomp também subiu ao palco para falar sobre o tema.

Berry apontou que a cirurgia bariátrica pode ser efetiva em adolescentes, desde que eles sejam devidamente selecionados, promovendo a redução do peso e também das comorbidades associadas, mas ressaltou que ainda é preciso novos estudos para determinar a efetividade dos resultados a longo prazo. O especialista chileno também afirmou que o procedimento é seguro em adolescentes e também que o apoio da equipe multidisciplinar é primordial para bons resultados de procedimentos neste público.

Pomp, por sua vez, ressaltou que a obesidade entre adolescentes continua a representar um problema de saúde pública. Na visão do americano, a cirurgia bariátrica permanece como a alternativa mais eficaz e duradoura para combater as comorbidades da obesidade em adolescentes, além de ter resultados tão satisfatórios – se não superiores – quanto em adultos. No entanto é preciso de novos estudos prospectivos para consolidar esta posição e para analisar questões éticas, além de consequências de potenciais problemas nutricionais.

Contra ou a favor?

No período da tarde houve uma série de debates entre diversos especialistas. Um dos mais aguardados foi sobre cirurgia bariátrica em adolescentes e crianças. Mario Carra, presidente da ABESO, apresentou diversos argumentos para mostrar porque é contra esta posição. O endocrinologista explicou que há poucos dados a respeito da obesidade infanto-juvenil e que este público é difícil de ser manipulado. “Temos que impedir que eles cheguem neste estado”, afirmou.

Marcos Leão Vilas Boas e Mario Carra

Marcos Leão Vilas Boas e Mario Carra

Já o cirurgião bariátrico Marcos Leão Vilas Boas explicou que a cirurgia pode ser uma boa opção para combater a obesidade excessiva em jovens. Na visão do especialista, é preciso determinar com clareza e segurança quem é o paciente, como será feita a cirurgia e quando ela será realizada. Vilas Boas explica que é preciso optar por técnicas com baixo risco e pouca intervenção na absorção de nutrientes. “A obesidade mórbida apresenta muito mais riscos do que a cirurgia”, frisou em sua apresentação.

Doenças do Aparelho Digestivo

Durante o Simpósio que abordou Endoscopia e Gastroenterologia Bariátrica, a Dra. Ana Botler, de Pernambuco, falou um pouco sobre as doenças funcionais do aparelho digestivo e cirurgia bariátrica.

A apresentação destacou que as questões nutricionais no pós-operatório recebem menos atenção que as técnicas cirúrgicas, os resultados da cirurgia, a perda de peso e a melhora das doenças associadas.

Os Drs. Roberto Rizzi e Orlando Faria, durante o simpósio “Consenso em Cirurgia Bariátrica”, falaram sobre os exames que o cirurgião deve solicitar ao paciente no pré e pós-operatório, respectivamente.

Rizzi apresentou a extensa gama de exames necessários antes da cirurgia, inclusive para evitar que o paciente tenha alguma intercorrência no momento do procedimento, por exemplo. Também aproveitou para colocar uma questão para a plateia sobre a necessidade dos exames de polissonografia, dopller de MMII para pacientes sem histórico de TVP-TEP e CAT em assintomáticos (sem angina pectoris).

Já o Dr. Orlando Faria ressaltou a importância de monitorar e suplementar o paciente para evitar qualquer tipo de complicação e observou que a extensão da avaliação deve ser guiada pelo tipo de procedimento realizado.

 

Nutrição, Psicologia e Exercícios

Para os participantes de COESAS que estão no XVI Congresso o dia começou com debates sobre tolerância e intolerância alimentar. O simpósio, que teve o auditório praticamente lotado como em todas as apresentações, abordou diversos aspectos, como a nutrição, a fonoaudiologia, a psicologia, a gastroenterologia e a odontologia podem influenciar esta questão.

Auditório lotado para um dos Simpósios de COESAS.

Auditório lotado para um dos Simpósios de COESAS.

Já o simpósio “Qual o peso que o peso tem?” focou aspectos psicológicos da cirurgia bariátrica. O endocrinologista Paulo Rosembaum deu uma aula que ofereceu aos profissionais de COESAS um ângulo diferenciado em relação ao IMC. De acordo com o especialista, o critério pode ser válido, mas apresenta falhas ao avaliar a distribuição da obesidade, a porcentagem de massa magra versus a de massa gorda e as diferenças na adiposidade entre os sexos.

Adriano Segal também subiu ao palco e deu uma aula que procurou desconstruir lugares comuns que prejudicam o tratamento cirúrgico da obesidade. O psiquiatra também deixou claro a influência do fator psicológico em obesos. “Apenas 19% dos pacientes de cirurgia bariátrica não tem transtornos psicológicos”, explicou Segal.

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