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Relação entre câncer e obesidade acende alerta para controle urgente do excesso de peso 

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Um estudo recente, publicado pela revista Nature Communications comprovou o que médicos já sabiam: indivíduos obesos ou acima do peso têm maior probabilidade de desenvolver mais de 13 tipos de câncer diferentes, entre eles, câncer de esôfago, estômago, pâncreas, vesícula biliar, fígado, intestino (cólon e reto), rins, mama – especialmente mulheres na pós-menopausa-, ovário, endométrio, meningioma, tireóide e mieloma múltiplo.

A pesquisa afirma que a causa de alguns tipos de cânceres relacionados à obesidade seria a adaptação da célula ao ácido palmítico, derivado da gordura. Esta adaptação produz alterações nas células-tronco que, em vez de originarem tecidos saudáveis, tornam-se carcinogênicas. O estudo, realizado pela Universidade de Bergen, na Noruega, foi realizado com coleta celular de tumores de mama de 223 pacientes.

O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), cirurgião do aparelho digestivo, Fabio Viegas, explica que o surgimento das doenças associadas à obesidade em pacientes que buscam tratamento para o excesso de peso é recorrente no consultório dos especialistas.

“Sabemos que a obesidade está relacionada a mais de 20 tipos de doenças, como diabetes, hipertensão, doenças nas articulações e outras. Agora, novas evidências comprovam a relação entre o câncer e a obesidade. A nossa recomendação para os pacientes que se encontram em um quadro de descontrole do Índice de Massa Corporal (IMC) é para que procurem especialistas capacitados para reverter este quadro o quanto antes”, afirma Viegas. 

Segundo ele, a possibilidade da formação de células cancerígenas se deve ao estado de inflamação – de baixo grau mas persistente -, ocasionado pela obesidade. “À medida que se aumenta a gordura corporal, vemos uma predominância de substâncias inflamatórias e estas se relacionam com a resistência à insulina. A perda de peso está associada à redução das substâncias pró-inflamatórias e aumento das substâncias anti-inflamatórias”, explica.

Além disso, pacientes obesos têm maior resistência à insulina, fazendo com que o corpo produza uma maior quantidade do hormônio, ativando mecanismos que promovem a duplicação celular, o que pode levar ao desencadeamento de tumores.

 

Caso real 

A dona de casa Marli Rodrigues Borges, de 47 anos, descobriu o câncer de mama pouco tempo após iniciar o tratamento para a redução de peso, quando estava com 97 quilos e um IMC de 30, que caracteriza obesidade. “Fiz a mamografia em fevereiro de 2019, apareceu uma calcificação e a biópsia apresentou uma lesão benigna. Continuei a ter sintomas como mamas inchadas e sangramento menstrual, mesmo sem ter útero; repeti os exames e tive o diagnóstico do câncer”, afirmou.

Marli realizou a cirurgia de mastectomia total para a retirada do tumor e, hoje, está bem; segue com o tratamento de hormonioterapia. “O meu ginecologista sempre falava que a obesidade é um dos itens que pode levar ao câncer, os exames apontaram que o meu tumor não foi causado por alterações hormonais”.

A gêmea de Marli, enfermeira Marlene Neres Santiago, também recebeu o diagnóstico da doença  na mesma época da irmã.

Nils Halberg, da Universidade de Bergen, na Noruega, um dos autores do estudo, garante que “Essa nova compreensão poderá levar ao surgimento de tratamentos melhores e específicos para pacientes obesos com câncer.”

 

Estudos anteriores 

Em 2016, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc, em inglês), da OMS, analisou evidências obtidas por mais de mil estudos sobre o tema e concluiu que a ausência de gordura corporal em excesso reduz o risco de câncer. O trabalho foi publicado no The New England Journal of Medicine.

Essa definição de excesso de peso contribuiu para o surgimento de 1,8% dos casos de câncer no Brasil, segundo estimativa publicada por Corrêa e colegas no ano passado na revista científica PLOS 1. Segundo o Inca, 5% dos casos de câncer de mama na pós-menopausa são atribuíveis ao excesso de gordura corporal.

 

Critérios para indicação da cirurgia bariátrica 

A cirurgia bariátrica tem se mostrado uma ferramenta eficaz no tratamento de obesidade em pacientes com IMC acima de 35 ou doenças como diabetes tipo 2 sem controle com medicamentos. No Brasil, a cirurgia bariátrica pode ser indicada quando os pacientes atendem a critérios de peso, idade e/ou doenças associadas. Estão aptos os pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 40 kg/m², independentemente da presença de comorbidades; IMC entre 35 e 40 kg/m² na presença de comorbidades; IMC entre 30 e 35 kg/m² na presença de comorbidades que tenham obrigatoriamente a classificação “grave” por um médico especialista na respectiva área da doença.

“O desafio para profissionais que atuam no tratamento da obesidade também cresce à partir do momento que cada vez mais pessoas, especialmente a população mais vulnerável, comem as chamadas calorias vazias, que não possuem nenhum valor nutricional e possuem altos índices de gordura e açúcares”, explica Viegas.

Adultos jovens, com idades a partir dos 30 anos até 60 anos, quando estão com 10 a 20 kg acima do seu peso ideal, já entram numa faixa de risco para o desenvolvimento de diabetes tipo 2 e doenças do coração.

 

Obesidade cresce no Brasil 

A última pesquisa do Vigitel, sistema de Vigilância de Fatores de Risco para doenças crônicas não transmissíveis, do Ministério da Saúde, informa que, entre 2006 e 2019, a obesidade cresceu 72% no Brasil, e hoje já é considerada um problema de saúde pública. 

Com a pandemia da COVID-19 os números aumentaram, comprovando a transição alimentar em curso no país.  A recente pesquisa Diet & Health Under COVID-19, que entrevistou 22 mil pessoas de 30 países, identificou que foram os brasileiros os que mais ganharam peso durante a pandemia. Aqui, cerca de 52% dos entrevistados declararam ter engordado. A média global é de apenas 31%. Ainda segundo a pesquisa, os brasileiros ganharam, em média, cerca de 6,5 quilos neste período.

A última Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério da Saúde, também reforçou estes dados: um em cada quatro adultos está obeso. São 29,5% das mulheres e 21,8% dos homens.

 

 

 

 

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