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SBCBM alerta para consequências das novas estratégias de vendas de alimentos no Brasil

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Ny TimesO presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), Caetano Marchesini, fez um alerta nesta segunda-feira (25), sobre a necessidade de políticas públicas sólidas para frear as estratégias de vendas da indústria alimentícia e que estão trazendo consequências irreversíveis para o avanço da obesidade no Brasil.

Na última semana (16), o Jornal americano New York Times publicou reportagem especial sobre a nova política de vendas das multinacionais do gênero alimentício para o Brasil e outros países em desenvolvimento. A oferta domiciliar de produtos processados como bebidas açucaradas, macarrões instantâneos, bolachas e outros, a baixo custo, para as regiões mais carentes do Brasil, está influenciando na mudança de hábitos alimentares tradicionais da população.

O New York Times analisou os registros de empresas, estudos epidemiológicos e relatórios governamentais, assim como realizou entrevistas com especialistas em saúde do mundo. O resultado é uma mudança radical na maneira como os alimentos são produzidos, distribuídos e anunciados em grande parte do mundo. Isso, segundo o presidente da SBCBM, Cateano Marchesini está contribuindo para uma nova epidemia de doenças crônicas associadas às elevadas taxas de obesidade em regiões que há apenas uma década lutavam para combater a fome e a desnutrição.

00OBESITY-dasilva1-superJumbo“Todos os cirurgiões bariátricos do país não seriam suficientes para operar os brasileiros candidatos a uma cirurgia atualmente. É preciso conter a mudança desenfreada de hábitos alimentares que está sendo promovida no Brasil e que caminha para nos tornar o país mais obeso do mundo”, declarou Marchesini.

DADOS – De acordo com a Euromonitor, uma empresa de pesquisa de mercado, a epidemia da obesidade está intrinsecamente ligada às vendas de alimentos industrializados, que cresceram 25% no mundo todo de 2011 a 2016, em comparação com 10% nos Estados Unidos. As vendas de refrigerantes na América Latina dobraram desde 2000, ultrapassando o consumo na América do Norte em 2013, segundo a Organização Mundial da Saúde.

 

00OBESITY-amazon2b-superJumboCRESCIMENTO DA OBESIDADE É PROGRESIVO – O diretor executivo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), cirurgião e pesquisador, Luiz Vicente Berti, lembra que o Brasil está assistindo há mais de uma década o crescimento desenfreado da obesidade.

Em 2007, ele liderou uma pesquisa que já apontava, de acordo com dados sociais e econômicos, o aumento da obesidade entre homens e mulheres.

Naquele ano o estudo apontou que 53.786.252 pessoas tinham sobrepeso, 24.876.142 pessoas estavam obesas e 5.378.625 pessoas apresentavam obesidade mórbida.

“De lá para cá o número de obesos no Brasil aumentou 60% , de acordo com a mais recente pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde2”, informou Berti.

“A obesidade sobrecarrega o sistema de saúde do Brasil e, com as atuais políticas públicas, a tendência é piorar. Alguém terá que pagar esta conta”, completa o médico.

Ele lembrou que o Guia Alimentar para a população brasileira de 2014, lançado com o propósito de promover a alimentação saudável, reverter a tendência de aumento da obesidade e de outras doenças crônicas relacionadas à alimentação, não reflete em políticas de controle sobre a oferta de alimentos ultraprocessados no país.

Referências e fotos  : https://www.nytimes.com/2017/09/16/health/brasil-junk-food.html